A arte como forma de comunicação

Além de contribuir para que as pessoas desenvolvam o pensamento crítico e reflexivo, a arte tem demostrado sua potencia como forma de comunicação.

Os versos do poema “Permita que eu fale”, escritos pelo Emicida, que dá voz a uma vida plena e de sonhos, se opondo à forma como algumas pessoas são vistas pelo sofrimento, é um exemplo de conexão da música como ferramenta de transformação social:

“Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes / Se isso é sobre vivência, me resumir à sobrevivência / É roubar o pouco de bom que vivi.”

O versos foram inseridos na música AmarElo que, brilhantemente, também traz um sample da música “Sujeito de Sorte”, de Belchior:

“Tenho sangrado demais/Tenho chorado pra cachorro/Ano passado eu morri/Mas esse ano eu não morro.”

A criatividade como a música aborda a pluralidade de temas – racismo, violência, intolerância, depressão, desigualdades sociais, etc – faz com que a composição e o videoclipe, que contou com a participação de Pabllo Vittar e Majur, transmitam a realidade do contexto, bem como se torna um hino que transmite mensagens de fé, positividade e força, tocando diretamente pessoas vulneráveis e excluídas.

Como resultado dessa empreitada, o álbum, que leva o mesmo nome da música, AmarElo, foi premiado como Melhor Álbum no Prêmio Multishow 2020 e no Latim Grammy 2020.

E qual o impacto da obra musical em termos de comunicação? 

No canal do Emicida no YouTube, o clip apresenta até o momento, mais de 8,6 milhões de visualizações, 423 mil curtidas e 20 mil comentários. A conexão e intimidade geradas com o público são tamanhas, que os comentários abriram diálogo como uma sessão coletiva de terapia.

Emicida e todos os envolvidos poderiam citar mais uma vez a música de Belchior:

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte/ Porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte/E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado/E assim já não posso sofrer no ano passado”.

Por sinal, essa música faz parte do repertório de grandes obras brasileiras produzidas nas décadas de 70 e 80, anos em que a criatividade aflorava com o país amargando a ditadura militar. E de forma atemporal, isso claramente evidencia a potencia da música e da arte como forma de comunicação, ativação de causas e transformação social. Aí está a conexão.

Vale lembrar que, em 2019, ‘Bluesman’, do Baco Exu do Blues, conquistou o Grand Prix – premiação máxima – na categoria “Entertainment for Music” do Cannes Lions. O curta aborda o racismo estrutural na sociedade brasileira.

A visibilidade acaba se tornando coadjuvante, se comparada ao engajamento do público. E desperta a atenção para esse tipo de conteúdo que ganha cada vez mais espaço.

Por Luanda Bonadio

 

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